27 de novembro de 2013
Tu
"Sonho sobre ti vezes sem conta. Mesmo quando estou acordada. Às vezes dou comigo na rua e de repente, do nada, vejo a tua silhueta a mover-se por entre as gentes. Ou então é a tua colónia que me apanha desprevenida obrigando-me a fixar-me em alguém que acabou de passar rente a mim. A tua falta é tão permanente que os anos não lhe retiram nem a força, nem a dor.
É uma dor que vive comigo encaixada dentro de mim e escondida. Mas sabes avó, tenho contigo longas conversas. Maiores do que as que tive enquanto vivias. Pergunto-te muitas vezes o que pensas de mim, daquilo que me tornei, sei lá, coisas sem importância talvez. E o facto de já teres partido há tantos anos não me fez esquecer os teus traços, o teu sorriso pequeno, as tuas mãos perfeitas.
Perfeitas. Onde eu hoje queria estar, sabes avó, abraçada a ti e ouvir-te dizer, tudo vai correr bem. Quando sonhamos podemos imaginar tudo o que queremos. E eu imagino-me novamente ao teu lado a dizer-te tudo aquilo que não tive tempo.
A vida é tão estranha, como estranha é esta saudade permanente de ti, esta imensa solidão que nunca vai desaparecer. Mas todos os dias as gaivotas rondam a minha janela e como sempre, é contigo que falo quando lhes digo adeus..."
Adaptado de um texto de Luísa Castel-Branco.
Foto de Brito Del Mar
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