4 de dezembro de 2013

2013 | O fim do ano

O Sr. Ilídio


Tenho sempre um mau pressentimento no final do ano.
Há dois anos o Natal foi triste para mim, com uma revolta enorme e um mal estar, a prever mais um ano passado e a ver a minha avó a degradar-se de dia para dia. Sabia que o dia dela estava perto, e o Natal tornou-se um choque, quando a fui visitar e ela já "não estava cá". Fiquei com um nó na garganta, e meses depois já eu estava sem ela.
O ano passado, foi um Natal pesado, com a falta dela, a dor da saudade, a dor cá dentro e eu sempre a  pensar que nunca mais a veria.
Agora este Natal, ficámos sem a Ninita, a gata da minha mãe. A gata da nossa família. O peso de um animal de companhia é sempre tão grande. A presença deles é constante e quando se vão, é o choque... acabou. Por mais que se tente ultrapassar fica lá as memórias, os momentos, as manhas, as teimosias e os vícios que só um animal tem e que nós, atentos, conhecemos tão bem. Ainda não refeita do choque de que nunca mais vou ver a Ninita, a gata mais linda que um dia acolhi em casa e a minha mãe levou-a porque se apaixonou por ela.

E por fim, sim espero que por fim, que isto tenha acabado, ao menos por este ano... morreu esta noite o Sr. Ilídio, um homem com  H grande, um pai de família, um avô maravilhoso e um bisavô feliz. O Senhor Ilídio foi um homem especial, estive com ele uma meia dúzia de vezes, mas deu para perceber pelo sorriso e pelo azul profundo dos seus olhos que foi uma pessoa bondosa. A revolta de ter ficado agarrado à cadeira de rodas, não acabou com ele, mas aos poucos foi resignando-se ao seu estado e a última vez que o vi, já estava desmotivado com a vida. Disse-me: "ahhh, já não ando cá a fazer nada..." com uma tristeza, como se a vida lhe pregara uma partida. Achei-o depressivo e revoltado, mas quem não fica assim, depois da vida super activa e trabalhosa? Nunca achei que fosse a última vez que o visse, mas na verdade foi... desistiu da vida.

Era bom que Deus nos desse a chance de nos despedirmos a sério das pessoas, que marcasse um dia para nos despedirmos delas, convenientemente. Enche-la de beijos e felicidade, para que depois então morresse serena e feliz, agradecida pela vida e reconfortada pela família. Não precisava de ser assim, serena e triste, deixando a saudade repentina de um abraço, do tom da voz e do seu sorriso.
Que a vida lhe seja mais leve do outro lado, Sr. Ilídio. Descance em paz. Vamos ter saudades suas, do seu sorriso e dos seus olhos bonitos!

04 Dezembro 2013

27 de novembro de 2013

Tu





"Sonho sobre ti vezes sem conta. Mesmo quando estou acordada. Às vezes dou comigo na rua e de repente, do nada, vejo a tua silhueta a mover-se por entre as gentes. Ou então é a tua colónia que me apanha desprevenida obrigando-me a fixar-me em alguém que acabou de passar rente a mim. A tua falta é tão permanente que os anos não lhe retiram nem a força, nem a dor.
É uma dor que vive comigo encaixada dentro de mim e escondida. Mas sabes avó, tenho contigo longas conversas. Maiores do que as que tive enquanto vivias. Pergunto-te muitas vezes o que pensas de mim, daquilo que me tornei, sei lá, coisas sem importância talvez. E o facto de já teres partido há tantos anos não me fez esquecer os teus traços, o teu sorriso pequeno, as tuas mãos perfeitas.
Perfeitas. Onde eu hoje queria estar, sabes avó, abraçada a ti e ouvir-te dizer, tudo vai correr bem. Quando sonhamos podemos imaginar tudo o que queremos. E eu imagino-me novamente ao teu lado a dizer-te tudo aquilo que não tive tempo.
A vida é tão estranha, como estranha é esta saudade permanente de ti, esta imensa solidão que nunca vai desaparecer. Mas todos os dias as gaivotas rondam a minha janela e como sempre, é contigo que falo quando lhes digo adeus..."

Adaptado de um texto de Luísa Castel-Branco.
Foto de Brito Del Mar

23 de setembro de 2013

Hoje deu-me uma saudade.



Hoje deu~me uma saudade.
Deu-me uma saudade da minha avó, pois perder alguém assim tão querido na vida é duro, não tem explicação, nem dá para saber como nos sentimos. É uma saudade que doi, da perda, de não a poder ver. Tudo o que resta são lembranças, e neste caso, as melhores, as mais felizes, as mais queridas.
Ninguém sabe a dor da morte, até acontecer isto, tocar no que nós amamos tanto e não contamos alguma vez perder. Já há muito tempo que não escrevia aqui, creio que se torna rotina ano após ano, e só sinto vontade de desabafar com a internet. Ninguém me ouve ou reaje ao que sinto. É duro, mas é nas palavras que me sinto mais leve e por certo mais tranquila. Já não mói cá dentro.
Mas o que fica serão sempre estas saudades.
As saudades de uma neta pela avó.


17 de maio de 2013

A existência








Muitas vezes dou por mim a pensar na existência, como os adolescentes. Porque é que nasci? O que venho aprender? Para que sirvo? Não encontro respostas a nada e portanto só posso depreender duas coisas. Ou não é isto ser feliz, ou não ando cá a fazer nada. Estou farta! 
Farta de tudo e de todos. Porque é que estou a passar por situações que não quero para mim? Porque é que não podemos ser felizes em tudo? Porquê?


15 de abril de 2013

O nosso canário

1ª noite de balanço do canário que apanhámos perdido na rua ontem.

Ontem à noite comeu imenso, alpista, alface e maçã. Tentou tomar banho na tacinha que metemos no fundo da gaiola, mas como estava frio  e já era de noite molhou apenas a ponta da asa direita.
Já mais tarde antes de nos deitarmos, tapámos a gaiola e lá ficou sossegadinho a dormir. De manhã acordámos ao som de um belo arraial! Cantou que se fartou, tomou banho e arrumou a casa.
Está feliz! É extremamente sociavél e pouco assustado. A Maggie é que não lhe acha piada nenhuma, e então não pára de olhar para ele a lamber-se. O Hugo diz que ela tem o guardanapo no pescoço para não se pingar com a baba... eheheheheheh. Então, por causa dela, o canário ficou baptizado de FIGO, porque ela se o apanhasse chamava-lhe um (figo)! Ele olha-a com desprezo e ainda se abana todo como quem diz, vai-te catar que a mim não me apanhas! Até ver...