7 de maio de 2012

Maio

Nesta altura ainda chovia lá para os lados da serra dos Candeeiros. Era o mês de trovoada e ficávamos de cotovelos apoiados na janela a ver os relâmpagos cair, enquanto a minha mãe rezava. Depois vinham mais dias cheios de sol, eu andava de bicicleta e puxava o meu irmão na caixa laranja, outrora de fruta, agora de puro divertimento. Gostava muito do baloiço, uma tábua cortada ao jeito de encaixar uma corda, feito pelo meu pai na casa do poço (era assim que chamávamos). Em frente tinha a casinha dos pássaros e uma gaiola maior do lado de fora onde morava o nosso gaio, astuto e espertalhão, dava bicadas na rede para ver se fugia dali para fora, um dia conseguiu escapar. Depois veio o Canadá, e já não havia mais pai, e veio mais um ano e já não havia mais mãe, nem irmão. Faz 26 anos este mês.


Cada vez que chove ouço o silêncio desses 3 longos anos a chamar por mim. Ainda dói. Ainda pergunto muitas vezes "porquê"? Só a dor no peito e as lágrimas me respondem. Mesmo assim, ainda gosto de olhar pela janela nos dias de chuva...


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