6 de fevereiro de 2007

Contemplo o que não vejo

Hoje estava a ouvir o álbum de Pedro Moutinho...
Adoro fado...

Fica aqui a letra de um música dele e que pertence a
Fernando Pessoa...


Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.
Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.

1 comentário:

Anónimo disse...

Linda essa música